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mini-saia

O blog de Mónica Lice.

21
Jul15

O parto

Mónica Lice

Segunda. 13 de julho. 41 semanas. Bebé nada de nascer. Uma consulta na sexta anterior (com a Dra. Alice Cabugueira - a médica, absolutamente excepcional, que acompanhou a minha gravidez). Agendada uma ida às urgências da MAC na segunda, logo pela manhã. Recomendação de ida às urgências no domingo, só para confirmar se estava tudo bem.

 

No domingo, tudo 5 estrelas. Na segunda, pela manhã, lá me apresentei. CTG fantástico, mas quase nenhuma dilatação. Plano traçado: uma indução lenta e progressiva, na enfermaria, onde poderia andar à vontade, comer, receber visitas e me ir preparando para o momento do parto.

 

Só ao final da tarde comecei a sentir contrações. Primeiro lentas e pouco dolorosas, na barriga. Mas, à medida que o tempo passava, aumentava também a sua intensidade. 

 

Técnicas de alívio natural da dor, aprendidas no Centro do Bebé, todas postas em prática: muito exercício na bola de Pilates, que havia no quarto da MAC onde me internaram, caminhadas no corredor, massagens do marido, acupressão em pontos estratégicos, música zen (ouvi esta vezes sem conta - obrigada, Constança, pela dica!), e banhos quentes! Ao todo, foram três, que tomei desde a tarde até ao início da madrugada - tinha, graças a Deus, um duche em frente à cama.

 

Ao jantar já quase não consegui comer, tais as dores e a dificuldade em estar parada. Mas a dilatação não havia forma de aparecer, não obstante o colo do útero estar cada vez mais descido e pronto para o parto.

 

Perto das três, novo toque e o rompimento das águas! Infelizmente com mecónio. Banho rápido e ligar para o marido, para vir rapidamente ter comigo.

 

Fui de maca para a sala de partos, a gemer, alto. Nessa altura, o enfermeiro de serviço, super profissional e simpático (tal como TODO o pessoal da MAC, a quem dedicarei um merecido post) perguntou-me se queria epidural, ao que respondi que ainda não sabia.

 

Não sou fundamentalista, mas sempre pensei que gostaria de ter um parto o mais natural possível. E o menos medicado possível também. Como a Laurinha nos trocou as voltas e não quis vir ao mundo na altura que era suposto, logo aí a ideia da ausência de medicação caiu por terra. No entanto, e perante relatos de grandes amigas, que conseguiram parir sem epidural, estava com vontade de ter também a experiência...

 

O que aconteceu é que, depois do transporte de maca, a caminho da sala de partos, situada no andar inferior, e perante o intensificar da dor, logo que as águas rebentaram, cheguei lá abaixo a dizer que "afinal" ia querer epidural.

 

Até que a epidural começasse a fazer efeito, as dores foram bem complicadas de passar. O anestesista mandou-me estar caladinha e sossegada, e, apesar de toda a pressão das dores, consegui estar quieta e a epidural ser administrada com êxito. 

 

Posto isto, chega o marido e eu aproveito para descansar. Ligada ao CTG, ia demonstrando estar com contrações fortíssimas, mas que não estava a sentir, graças à epidural. Estive pouco mais de uma hora sossegada, mas, passado este tempo, comecei a sentir, lentamente e novamente, as contrações.

 

Recomeçaram as dores e tive que chamar alguém, dizendo que, se calhar, precisava de mais epidural. Nessa altura, novo toque e a boa notícia - tinha conseguido fazer toda a dilatação e era hora de fazer força. Com ou sem epidural, perguntou a médica (a Dra. Filipa Alpendre, que me acompanhou durante todo este processo, e a quem só tenho a agradecer).

 

Nesse momento, lembrei-me dos relatos de algumas mamãs, de que a epidural, na hora da expulsão, tende a demorá-la mais, porque não sabemos muito bem onde fazer a força, cansado-nos e forçando outras áreas do corpo. Pelo que prontamente disse que agora ia fazer força e preferia manter-me com dores, para ser mais rápido.

 

Ainda estive de pé, sempre ligada ao CTG, para que a força da gravidade ajudasse a bebé a nascer. Foi nessa altura que a equipa entrou e me mandou deitar e fazer força. Ora, o meu metro e oitenta de altura não se coadunava muito bem com aquela cama de partos, que não me permitia agarrar em nada e ter os joelhos dobrados, na posição correta, para a expulsão.

 

Por isso, disseram-me que iam mudar de sala, com uma cama em condições, no segundo andar, no bloco operatório. E fui pelo meu pé, amparada em alguém e a tentar respirar entre as contrações.

 

Por ir para uma sala do bloco, o meu marido teve de ficar cá fora. Infelizmente, nem sempre os nossos planos correm como desejado, mas o fundamental era que a bebé nascesse bem, rapidamente e, se possível, de parto natural.

 

Já instalada na nova cama, consegui apoiar bem as pernas e agarrar uns ferros, o que proporcionou que fizesse a força desejada. Depois de algum esforço, das palavras incentivadoras das médicas (a Dra. Filipa e a Dra. Ana Bello - outra excelente profissional, que soube dizer as palavras de incentivo certas, na hora "H") e enfermeiras que me acompanharam, a Laurinha, finalmente, nasceu...

 

Sentir que estava a sair de dentro de mim é qualquer coisa de indescritível. Muito animal e muito irracional, mas pleno de sentimento.

 

Para evitar complicações, teve que se aspirar todo o líquido que a bebé engoliu, enquanto estava na barriga. Sentir os seus primeiros gritos de choro é, também, indescritível. Assim como foi tê-la, logo de seguida, sobre o meu peito, aninharmo-nos as duas e apresentar-lhe o meu peito.

 

Sem palavras foi também o momento seguinte, em que nos juntarmos ao pai, que nos esperava cá fora e que conseguiu gravar, via iPhone, o primeiro choro da sua cria...

 

No final, dou graças a Deus por tudo ter corrido bem. A minha hora pode não ter sido "pequenina", mas tornou o nascimento ainda mais especial e pleno de significado...

 

(OBRIGADA, a todas e a todos, pelas vossas simpáticas mensagens. Desculpem se o relato foi extenso e um pouco fora da "linha editorial" do blog, mas acho que pode ser útil para quem ainda não foi mãe e tem receio de partos naturais, de dores ou, mesmo, de hospitais públicos, como a Maternidade Alfredo da Costa, onde me senti super segura e muito bem).

 

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